Isaac e Abel

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um amigo verdadeiro

Aqui vai uma história, não da minha autoria, mas não deixa de ser bonita.


"Sempre que Rogério sai de casa, esquece-se de alguma coisa. Quando se lembra, já é tarde demais.
E o que é que Rogério faz? Absolutamente nada. Só pensa: "Ainda bem que tenho o João".
O João é o seu melhor amigo, um amigo a sério, um amigo com quem se pode contar.
O Rogério sabe muito bem o que é um amigo com quem se pode contar. Sempre que ele se esquece de alguma coisa, é o João que o livra de apuros. O Rogério vai para a escola sem sapatilhas.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz o João, tirando um par de meias grossas do saco de ginástica, que entrega ao Rogério.
O Rogério chega ao parque sem bola.
– Logo vi que ias esquecer-te!
O João tem escondida atrás das costas a sua própria bola, que lhe estende.
O Rogério vai com o João à feira popular e não leva dinheiro na carteira.
– Logo vi que ias esquecer-te! – E como não se pode andar no carrocel sem pagar, o João tira uma moeda do bolso.
E é assim dia após dia: o Rogério esquece-se sempre de alguma coisa, o João, nunca… ou será que não?
Não. O João esquece-se sempre dos lápis de cera. Não adianta esforçar-se por fazer a pasta a tempo e horas. Quando chega a aula de desenho, o João não tem os lápis de cera na pasta.
O Rogério sabe que o João se esquece sempre deles, e por isso ele, Rogério, pode esquecer-se de tudo o que há no mundo, só não se esquece dos lápis de cera.
Estão na aula de desenho. O Rogério tira os seus lápis da pasta e põe-nos em cima da carteira. O João volta a ficar corado de vergonha porque deixou os lápis em casa, no quarto.
Então, o Rogério sorri e tira da pasta outra caixinha de lápis de cera, que pousa em cima da carteira do João.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz ele a sorrir. "


Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
Texto adaptado

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O Alquimista

O Alquimista.


Um livro que já muito ouvi falar, mas que nunca tinha tido oportunidade de o ler. E gostei.

Tantas vezes que estamos preocupados com os nossos empregos, casas, famílias, férias e acabamos por esquecer o nosso verdadeiro propósito de vida, o nosso maior sonho, aquilo pelo qual vale a pena lutar. O rapaz da história lutou pelo seu tesouro, teve que abdicar da sua terra natal e de tudo o que possuía para seguir esse sonho, pelo caminho foi maltratado, espancado e quase morto. Toda essa caminhada valeu-lhe a pena, mesmo que não conseguisse encontrar o seu tesouro, porque conheceu pessoas que o ensinaram e o ajudaram a lutar e alcançar os seus objectivos e ainda conheceu o amor da sua vida. No final percebeu que o seu tesouro estava onde sempre tinha estado o seu coração. O mesmo acontece com todos nós: onde estiver o nosso coração, aí estará o nosso tesouro. Mas a caminhada é fundamental para conseguirmos alcançar o nosso tesouro, ao princípio é fácil e entusiasmante, mas depois começa a ficar mais difícil e complicada. Um tesouro é sempre muito precioso. Mas só se dá valor às coisas pelas quais se luta, e quanto maior é a luta melhor sabe a recompensa, e mais se vai valorizar o tesouro. O Alquimista foi alguém que ensinou um simples rapaz pastor a seguir o seu coração e a interpretar os sinais que a vida lhe ia mostrando, para alcançar a sua Lenda Pessoal. O rapaz conseguiu o Alquimista também. E você? Está a lutar pela sua Lenda Pessoal?

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lições a Aprender

As aparências enganam


Era uma vez uma menina muito pobre, mas muito sonhadora. Todos os dias sonhava que era uma linda princesa e que vivia num grande e belo palácio. Naquele dia, foi à floresta apanhar lenha, e no caminho encontrou uma velhinha que a cumprimentou.
- Olá menina, o que é que andas a fazer sozinha na floresta, e ainda por cima descalça?
A menina, envergonhada respondeu:
- Vim apanhar lenha para a minha mãe, e estou descalça porque nós somos muitos pobres e a minha mãe não tem dinheiro para me comprar sapatos novos. Como eu cresci, os sapatos que tinha ficaram para os meus irmãos mais novos, por isso tenho de andar descalça – disse com um ar triste.
- Olha, tenho aqui mesmo o que tu precisas.
A velhinha abriu o saco que transportava e mostrou-lhe dois pares de sapatos que tinha lá dentro e disse à menina:
- Tenho aqui dois pares de sapatos e podes escolher uns para ti, mas tens de escolher bem, porque só podes ficar com um par!
Um dos pares eram uns sapatos vermelhos, brilhantes, com um laçarote e um pequeno ta
cão.
- “Se eu ficar com estes sapatos, vou parecer uma princesa de verdade, a minha mãe nunca me vai poder comparar uns sapatos assim! Mas... se eu andar por aí com estes sapatos ainda vão pensar que os roubei, nunca ninguém vai acreditar que alguém mos ofereceu na floresta, além disso, não tenho roupa a condizer com o vestido...” - Pensou a menina.
Os outros sapatos tinham um aspecto rude e feio, eram parecidos com aqueles que costumava usar. Aparentemente eram só uns sapatos normais.
- “Estes sapatos não são bonitos e são iguais aos que sempre usei, mas se os escolher, ninguém vai duvidar que me foram oferecidos...”
A menina estava um pouco dividida, entre os sapatos vermelhos, que a iam fazer parecer uma princesa, mas que podiam pensar que os tinha roubado, ou entre uns sapatos feios e normais, provavelmente iguais aos que a mãe lhe comprava se tivesse dinheiro.
A velhinha esperava pacientemente pela decisão.
- Então querida, já te decidiste?
- Sim, vou levar estes.
Pegou então nos sapatos de aspecto rude e já com ar de velhos. A velhinha apenas lhe disse:
- Foi uma boa escolha.
Enquanto a rapariga olhava para os sapatos a velha já tinha desaparecido sem deixar rasto, não dando sequer oportunidade para lhe agradecer. A rapariga resolveu calçá-los, mas nesse momento surgem de dentro dos sapatos dois coelhinhos brancos!
- Nós somos os coelhinhos fofos – dizem em coro – vivemos dentro dos teus sapatos e sempre que nos calçares vai andar com os teus pés sempre quentes e fofos, podes andar o que quiseres, correr, saltar, brincar e nunca te vão doer os pés! E mais uma coisa: Se tu quiseres podemos durar toda a vida, pois mesmo que o teu pé cresça os sapatos crescem também, por isso vão-te servir sempre!
A menina ficou radiante de alegria e assim que calçou os seus sapatos novos correu para casa a contar a novidade à sua mãe. Ao chegar a casa disse entusiasticamente:
- Mãe, olha o que uma senhora me ofereceu, enquanto eu estava a apanhar lenha na floresta!
- Oh filha, estão tão contente, assim, o dinheiro que tinha poupado pode servir para comprar outras coisas que também precisamos. Mas antes que me esqueça, está uma senhora à tua espera dentro de casa, disse que tinha uma coisa para ti, mas que tinha que te entregar pessoalmente. Vai ver o quem é, não a deixes à espera.
A menina correu apressadamente para ver quem era, e assim que entrou estava uma linda jovem, com longos cabelos pretos e brilhantes e usava uma pequena tiara. A menina reconheceu-a como sendo a princesa, que morava no palácio no cimo da montanha, e com esta surpresa ficou imóvel e sem palavras.
- Não te assustes, vim aqui porque sei que sonhas ser uma princesa e porque hoje fize
ste uma boa escolha. Sabes, as verdadeiras princesas não são as que usam sapatos e vestidos bonitos, mas as que fazem boas decisões. Tu hoje fizeste uma boa escolha, não te deixaste levar pela vaidade, mas escolheste aquilo que era melhor e mais adequado ao teu dia a dia. Como recompensa, tenho aqui uma coisa para ti.
A princesa apresenta-lhe um embrulho, que a menina abre cautelosamente. No seu interior estava um lindo vestido de princesa e uns sapatos vermelhos, iguais aos que tinha visto na floresta.
- Muito obrigada! – disse a menina comovida – agora já posso ser uma princesa!

- E sempre que quiseres podes usar o vestido e ir visitar-me ao palácio.

Aquela criança agarrou-se à princesa num acto de gratidão.
- Agora tenho de ir – disse a princesa – espero que me vás visitar sempre que possas.
- Claro que vou, sempre que puder!
Quando se preparava para sair, a princesa levantou um pouco o seu vestido e a menina pode ver que a princesa usava uns sapatos iguais aos seus, os sapatos dos Coelhinhos Fofos! A princesa ao reparar para onde se dirigia o olhar da menina sorriu e piscou-lhe o olho.
Naquele momento a menina percebeu que não são os sapatos que fazem as princesas e nem sempre as coisas mais bonitas são as melhores, e as boas decisões, mais cedo ou mais tarde são recompensadas.



FIM

segunda-feira, 31 de março de 2008

Lisboa é complicada

Isto de ter nascido saloia, às vezes é embaraçoso, e hilariante para quem está de fora a ver. As coisas por aqui são sempre pacatas, e quando se vai à capital, principalmente a sítios aos quais não conhecemos faz-se sempre figuras engraçadas, desde andar de metro, atravessar a estrada ou andar à procura dos sítios.
Há uns dias fui a Lisboa e tinha que ir para um local que ficava em frente à Biblioteca Nacional, então perguntei onde ficava a Biblioteca para depois poder atravessar a estrada e localizar o edifício que ficava em frente, mas isso não foi tarefa fácil... Atravessar a estrada em Lisboa é coisa que se pode ser muito complicada, principalmente quando não há passadeiras, pensava eu que podia atravessar com facilidade, quando na realidade tive que voltar tudo tudo para trás para encontrar uma passadeira, para então atravessar e andar tudo outra vez para cima, mas desta vez do lado correcto da estrada! Ia lá eu adivinhar...

Passado dois dias uma situação parecida aconteceu, vi uma placa com o nome da rua que procurava e segui por lá, mas vi-me forçada a voltar tudo para trás porque o edifício que procurava era no sentido contrário ao que tinha ido (a avenida afinal era maior do que eu pensava...). Num prédio com escadas, elevadores e letras o à vontade era pouco, mas lá dei com o sítio que queria, no regresso para a estação fiz o mesmo caminho que tinha feito para lá, quando atravesso a estrada e vejo que não precisava de o fazer, porque a estação era do lado da estrada onde tinha saído... Que confusão, atravesso a estrada quando não preciso e não atravesso quando preciso!

Lisboa é complicada!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Índio e a Árvore

Era uma vez uma árvore, que, quando deu conta da sua existência era uma pequena sequóia com semanas de vida, numa floresta com árvores gigantescas, que já lá viviam à centenas de anos, eram tão grandes e altas que pareciam tocar o céu. “Um dia também vou ser assim, vou tocar no céu e ser maior que todas estas árvores!” pensou a pequena sequóia. Este era o seu maior desejo, a única coisa que a sua visão lhe permitia contemplar, eram as sombras das outras árvores, alguns feixes de luz que se escapavam por entre as ramagens e a margem do lago. “Este lago é especial” dizia a pequena árvore. Dizia isto sem saber quão especial era o lago ou o que lhe poderia trazer de bom, e assim a sequóia continuava a sonhar com o seu futuro.

Os dias passaram, seguidos de meses e anos. Os anos foram tão longos que fizeram séculos. Neste recanto secreto da floresta as coisas permaneciam iguais. O lago continuava com a sua aparência ‘especial’, e as árvores gigantescas permaneciam no mesmo sítio, com as suas majestosas dimensões inalteradas. Apenas uma coisa estava diferente. A pequena sequóia, já não era pequena, tinha crescido, e cresceu tanto, mas tanto que ficou maior que todas as árvores da floresta. Tal como era o seu desejo. Até então, esta, agora majestosa árvore, nunca tinha podido contemplar a beleza do seu lago que considerava tão especial. E era de facto especial. Tinha uma presença misteriosa, muita vegetação densa ao seu redor, e a sua água uns tons de azul, verde e com uns toques de negro que se misturavam na perfeição.

Um dia na calmaria dos momentos que se passavam naquela floresta, apareceu um pequeno menino índio na sua canoa. O menino parecia estar perdido e ao mesmo tempo maravilhado com aquele recanto da floresta que tinha acabado de descobrir. Ao chegar à margem, explorou com o seu olhar a vegetação que o cercava, e passeou-se entre as árvores até ir de encontro à maior árvore da floresta. O pequeno índio parecia ainda mais pequeno na presença de uma árvore tão grande. “Tu és a maior árvore desta floresta.” Disse o índio à árvore. “O meu nome é Tupi. E eu quero que tu sejas a minha árvore ‘especial’! Mas para isso precisas de ter um nome. Deixa cá ver... Já sei! Vais ser a árvore Kapi!”” Ao ouvir isto a árvore agitou levemente a sua folhagem, como que maravilhada com tal criatura e com o facto de querer ser seu amigo, e melhor ainda, agora ela tinha um nome, o que a tornava única em relação às outras árvores da sua espécie. “Andei a passear de canoa e acho que me perdi, por isso vou tentar subir até ao teu topo, para poder ver o caminho de volta. Mas ainda bem que me perdi, porque assim encontrei-te!” Palavras doces para esta árvore centenária agora com nome. No entanto estava um pouco receosa ao saber que Tupi queria subir por ela. Nunca ninguém, nem nenhum animal, alguma vez tinha tentado tal coisa. Mas este ágil índio, sem medo algum das alturas, conseguiu fazê-lo com uma estranha facilidade. Ao chegar a um galho bem alto, pode ver todo o lago e o caminho por onde tinha vindo. “Já sei por onde tenho de ir, daqui vê-se o caminho de regresso. Obrigado Kapi, agora tenho de ir antes que fique de noite e fiquem preocupados comigo lá na aldeia, mas amanha volto para te visitar.” E com a mesma facilidade com que subiu assim desceu. Naquele momento aquela árvore desejou falar, para poder agradecer a Tupi e ao lago por aquele dia tão especial.

No dia seguinte, lá estava outra vez o pequeno índio brincalhão. Mas desta vez não subiu até ao topo, ficou a brincar e a correr ao redor da árvore e falou, falou, falou, falou tudo o que quis e disse tudo o que lhe vinha à cabeça. Kapi tinha-se tornado a sua nova confidente. Os dias foram-se passando nesta rotina, e embora a árvore se mantivesse na mesma, o passar dos anos faziam-se notar em Tupi, que já não tinha aparência de criança, mas era agora um jovem índio adulto, robusto e cheio de força e vitalidade. Mas o seu carinho por Kapi mantinha-se, bem como as visitas diárias. Um dia o jovem índio trouxe outra pessoa consigo, era uma criança recém nascida. O primeiro filho de Tupi. Naquele momento a árvore sentiu-se pequena, como tinha sido nos seus primeiros dias de vida, ao contemplar aquela pequena criatura. A partir daquele momento Tupi tinha iniciado uma tradição secreta que apenas seria revelado ao primeiro filho que nascesse de cada casal da sua descendência. Assim, Kapi viu passar diante de si vários descendentes de Tupi, todos eles com a vitalidade do seu antepassado e com o carinho especial pela natureza e por Kapi.

Este era, e seria sempre, o segredo mais bem guardado entre os humanos e uma árvore.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Oh tempo não fujas...

O Tempo tem medo

Todos nós já notamos que o tempo ultimamente parece que passa mais rápido, mas ninguém sabe explicar porquê. O motivo é simples. O Tempo está com medo. Medo de quê? Perguntam vocês. Bem, vamos ler a história.

Desde que o mundo existe e foi feito, que existe o dia e a noite, salvo excepções, como nos pólos, o dia começa com sol, e acaba com a noite e com a luz da lua e das estrelas. Este fenómeno acontece vez após vez e tem a duração de 24 horas.
Desde sempre o Tempo presenciou todo o tipo de pessoas e povos, as suas lutas, ambições, medos, tristezas e alegrias. Durante séculos e séculos, houveram mortes, desastres naturais, catástrofes, pessoas medonhas e toda a espécie de desgraças. Mas também houveram muitas alegrias, novos nascimentos, grandes amores e amizades, actos de heroísmo e várias demonstrações de compaixão e respeito pela vida humana. No entanto à medida que o tempo passava pelas pessoas e pelos acontecimentos, a população, de um modo geral, começava a perder as alegrias, que davam lugar a tristezas, os actos de heroísmo passavam a ser actos de cobardia, vandalismo e desrespeito pela vida humana. Os amores e as amizades tornavam-se fúteis e com prazo curto. As guerras estavam a ser cada vez mais violentas e o medo estava presente na face de toda a população mundial. O Tempo nunca tinha presenciado nada tão intensivo, como estas constantes desgraças que se sucediam a um ritmo alucinante e que pareciam não ter fim. Até a Natureza parecia estar revoltada com a humanidade, e soltava os vulcões com toda a sua cólera, as ondas do mar agitavam-se de forma sobrenatural e os ventos sopravam com uma fúria incontrolável. O que se estava a passar? Pensou o Tempo. Ao aperceber-se de todas estas coisas, o Tempo começou a ficar com medo e quis fugir. Mas fugir para onde? Ele era o Tempo, ele ia existir sempre, ele era um elemento eterno. Então, arranjou uma solução. Ele pensou em encurtar os dias, não no número de horas, mas na velocidade com que passavam. Isto tinha de ser feito de forma muito subtil para que não fosse descoberto, e uma vez que o fizesse não podia voltar ao ritmo anterior. Então, gradualmente, o Tempo foi fazendo com as noites passassem mais depressa, e assim os criminosos que atacavam de noite, teriam esse tempo encurtado. Os dias também seriam mais reduzidos. Os estudantes e os trabalhadores teriam as suas vidas facilitadas pois no fim do dia estariam menos cansados. Tudo parecia estar bem, até ao momento em que as pessoas se começaram a aperceber de que já não descansavam tanto de noite, acordavam no dia seguinte ainda cansadas e não conseguiam acabar todo o trabalho que tinham até ao final do dia, muitas vezes até tinham de fazer horas extra, sem serem remunerados. Os estudantes queixavam-se de que já não tinham tempo para acabar os testes e tinham que fazem noitadas de estudo, porque o tempo que tinham de dia não era suficiente. Os criminosos estenderam a sua actividade também para o dia, e só se ouviam queixas do género “Eu agora não tenho tempo para nada!” O Tempo tinha sido descoberto, mas ninguém sabia porquê.
O Tempo estava com compaixão pela vida humana, e quis acelerar os seus dias de vida para não os ver a sofrer, mas as pessoas cada vez sofriam mais e a um ritmo mais acelerado, porque o Tempo assim o fez, na esperança de que estivesse a fazer algo bom.

O que o Tempo fez é irreversível e resta-nos viver com isso e saber usufruir das nossas 24 horas que agora estão mais aceleradas. Vivam cada dia com força e entusiasmo, porque um dia acordamos, vemo-nos ao espelho e já não conseguimos apagar as rugas da nossa velhice.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Memórias de uma moeda de 200$


Olá. O meu nome é 200$, fui feita em 1996 com as minhas milhares de irmãs na Casa da Moeda. Sou a moeda Portuguesa de maior valor e andei em circulação durante cinco anos. Quando era nova e brilhante todos me queriam ver e tocar, em bolsos de seda andei e com outras moedas valiosas brinquei, e as mais velhas avisavam-me: “O país podes vir a percorrer e uma vida cansativa vais ter!”. Conversas tolas às quais eu não ligava, até ao dia em que do meu primeiro dono me separei. Juntamente com algumas companheiras fui posta num pratinho e aí me deixaram sem saber onde estava nem para onde ia, creio que na altura me encontrava em Lisboa. Até que alguém me recolheu e num monte com outras moedas me colocou. Como elas tinham um ar de infelizes, de vividas, de presas a uma vida sem rumo... Separaram-me num monte de outras moedas do mesmo valor, e com várias moedas diferentes fui posta dentro de uma “pequena prisão” a que chamam de porta-moedas. Como ainda era nova e conservava o meu brilho dificilmente se queriam desfazer de mim, mas nada dura para sempre e um dia lá fui eu, descendo por uma ranhura, fui parar a um sítio escuro. Algum tempo aí fiquei até sair com um pequeno papel verde que continha o nome de um lugar. Aquele seria o novo sítio que iria conhecer, Faro. Uma jovem rapariga era a minha nova dona e fui cuidadosamente guardada, até ao dia em que juntamente com algumas notas, senhoras de grande valor e prestígio, me senti bastante honrrada, mesmo não sabendo para onde ia. Fui trocada por um saco, que pelo que me disseram continha “roupa”... “As pessoas realmente são estranhas”, pensei eu naquele momento... Das notas fui separada e posta num compartimento com as do meu valor. Cedo comecei a aprender o nome das coisas e a perceber que as pessoas me trocavam por bens, comida, bilhetes, tabaco e às vezes até me ofereciam como gorjeta. Conheci tantas cidades que já nem me lembro dos nomes de todas... Lisboa, Aveiro, Faro, Coimbra, Beja, Évora, Portimão e tantas outras...

Já habituada a esta rotina incerta, um dia fui parar ao chão, naquele momento nem sabia o nome da cidade, ou aldeia onde me encontrava, mas o ambiente era sossegado e fazia tanto calor que eu parecia que ia derreter! Ninguém me viu a não ser um pequeno rapazinho, com umas faces meigas e rosadas, que ao ver-me deu um enorme sorriso, apanhou-me e agarrou-me com força na sua mãozinha suada. Depressa me trocou por um grande gelado, mas ainda o dia não tinha acabdo e já eu me encontrava dentro de um recipiente de porcelana a que davam o nome de mealheiro. Nesta fase da minha vida, creio que estavamos quase no final do ano 2000, e os anos já me começavam a pesar, por isso resignei-me e adormeci. Passado o que me pareceu uma eternidade voltei, a ver a luz do sol. Estavamos em Janeiro de 2002 na cidade de Bragança, e iam-me trocar, a mim e às outras moedas, por novas moedas a que chamam de Euros, “Vou deixar de existir, a minha vida chegou ao fim!”, pensei eu melancólica. No Banco lá estavam elas, lindas, novas jovens, brilhantes, tal como eu era quando fui criada. Mais adiante vi as moedas de 1€, que pelo que dizem valem aproximadamente o mesmo que eu... “Boa sorte 1€, pela Europa vão ter oportunidade de viajar, mas nunca sabem onde vão parar...” Naquele momento lembrei-me das palavras sábias de uma velha companheira que conheci no início da minha existência e que me fez uma advertência parecida... Consciente de que o meu fim estava próximo, voltei ao mesmo local onde tinha sido criada, e resolvi adormecer para não me ver morrer, e então num sono profundo, morri para Portugal!...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Um dia Normal II


Acabei de adormecer. Levantei-me da cama e fiz a minha rotina diária pela primeira vez. Abro o telhado e olho lá para dentro: está um lindo dia de chuva, frio e trovoada! Hoje vou à praia!

Para isso vou desfazer um pequeno e ligeiro farnel: dez litros de sandes, três quilos de sumos, uma panela de batatas fritas e outra de salada de frutas. Para sobremesa levo uma torta de chocolate com dois metros. Não me posso esquecer de vestir a toalha; levar o fato de banho, para me deitar na areia; o protector lunar e o chapéu-de-chuva.

Ah! Que paisagem tão agradável, o vento sopra em toda a sua fúria, a chuva cai violentamente e está um frio de rachar. Vou-me divertir imenso! Assim que chego tiro as minhas coisas do chão, deito-me em cima do fato de banho e coloco o protector lunar, não posso apanhar um escaldão! Deitado confortavelmente na rija areia, feita de grandes calhaus, apanho leves e quentes banhos de lua que me refrescam. Passado algum tempo vou-me secar para dentro de água que se encontra quentíssima, não tivéssemos nós em Janeiro!

Já estou a ficar sem fome, por isso volto para o meu fato de banho e como vinte das dez sandes de areia e três dos dois metros de torta de chocolate que trouxe, enquanto a chuva me vai secando o corpo.
O sol está quase a nascer, é melhor vir para casa. Desarrumo todas as minhas coisas, entro na praia, tranco a porta de casa e entro. Dou banho ao resto da comida que trouxe da praia e arrumo-me no frigorífico. Estou sem sono, é melhor ir dormir. Deitad0 debaixo do sofá, abro os olhos, destapo-me e acordo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Um dia Normal I


Levantei-me de madrugada bem tarde, tinha sonhado que estava acordada. Então, para despertar, fui à cozinha para tomar banho e depois dirigi-me à casa de banho para tomar o pequeno-almoço. Depois calcei a minha camisola e vesti os meus sapatos novos comprados há cinco anos.

Fui desarrumar a casa e sujar a sala para ficar tudo em ordem para a saída do meu primo que estava para chegar.
Almocei um CD de música clássica e depois fui ouvir um pouco de frango assado no forno.

À tarde cheguei ao princípio do livro que tinha acabado de ler. Mais tarde fui passear e, quando entrei na rua, reparei que fazia sol, por isso saí novamente para dentro de casa e fui buscar um chapéu de chuva e um cachecol porque também fazia calor.

No jardim sem árvores os cães cantavam alegremente e pulavam de galho em galho enquanto que os pássaros ladravam e brincavam com as criancinhas do lar da terceira idade. Como estava cansada fui correr um pouco e fiquei com tanto frio que fui refrescar-me debaixo da sombra de um trevo de cinco folhas.


Ao sair para casa, deitei os sapatos na cama e arrumei-me no armário. Estava sem fome, por isso resolvi ir comer qualquer coisa, e fiquei com tanto sono que fui dançar um pouco para cima do telhado. Quando começou a ficar cedo liguei a aparelhagem e resolvi ir dormir, por isso deitei-me debaixo da cama, destapei-me e acordei.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um dia para esquecer - Cap. IV

Capítulo IV
Era só o que me faltava



Finalmente cheguei à escola! Mas... o que? Não pode ser... HOJE È SABADO!!! Eu nem quero acreditar... Num acto de desespero encosto a cabeça à parede como se tivesse com vontade de a esborrachar por causa da minha estupidez, só então reparo na tabuleta que dizia: CUIDADO! PINTADO DE FRESCO.

Então, furioso, frustrado, irritado e com a testa pintada, solto um grito de fúria no meio da rua e fica tudo a olhar para mim. No meio de tantos olhares intrigados, vou-me esgueirando, de cabeça baixa, tropeço numa pedra, escorrego numa casca de banana e estatelo-me no meio do chão, mesmo na altura em que ia a passar a rapariga por quem estou perdidamente apaixonado! Porque é que eu hoje saí de casa? (pensei eu)... Levanto-me desajeitadamente, sorrio-lhe e ela com um ar sorridente olha-me de alto a baixo e diz: “ Belos ténis!”. Ah, afinal o dia até está a melhorar, a rapariga de quem eu gosto fez-me um elogio! Mas ao olhar para os pés vejo que... trouxe um ténis de cada cor! Ela não me estava a elogiar, ela estava a gozar comigo...

Não aguentando mais começo a chorar que nem um bebé, e então oiço alguém a agarrar-me e a dizer: “ João, João!!” . Então abro os olhos e vejo a minha mãe, afinal tudo não tinha passado de um enorme pesadelo...


FIM

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Conto de Natal

O Coelhinho e o Natal



Estávamos no início do Outono quando nasceu uma ninhada de coelhinhos da Mamã Cauda Fofa. Eram sete coelhinhos, entre eles, um muito especial com duas manchas escuras ao redor dos olhos e uma lista castanha nas costas. Era o coelhinho Timóteo. À medida que o coelhinho crescia ficava cada vez mais e mais curioso, sempre a cheirar tudo ao seu redor.
Com a chegada do Inverno os campos ficaram cobertos de neve e o coelhinho Timóteo resolveu explorar para os lados da quinta do Sr. Francisco, uma vez que a sua mãe nunca o deixava lá ir, pois dizia que era um sítio muito perigoso. À entrada da quinta encontrou uma cerca de madeira e saltou por cima. Ao olhar de perto para a janela da casa reparou que estava toda decorada com uns enfeites vermelhos e dourados, ao redor da casa haviam umas luzes coloridas que piscavam e cá fora estava uma árvore cheia de fitas brilhantes e outros objectos coloridos. O coelhinho estava muito intrigado com aquilo porque nunca tinha visto nada parecido em toda a floresta.
Uns saltinhos mais à frente sentiu o cheiro de uns animais que não conhecia e resolveu investigar. Chegou-se perto da vaca e perguntou-lhe:
- Olá.
- Muuuu. Quem és tu e o que fazes aqui?
- Eu sou o Timóteo e vim aqui ver a quinta.
- Eu sou a Vaca Mimosa. É melhor teres cuidado porque se o Sr. Francisco te apanha, estás em maus lençóis.
- Oh Mimosa, diz-me uma coisa, toda a quinta está decorada com uns enfeites dourados, vermelhos, verdes e prateados, eu nunca vi nada assim na floresta. O que é isto tudo afinal?
- É o Natal. Os humanos em chegando a Dezembro enfeitam toda a casa com estas coisas.
- Natal? Eu nunca ouvi falar nisso, podes-me explicar o que é?
- Não te sei explicar muito bem, só sei que durante esta altura as pessoas andam sempre a assobiar músicas e estão sempre felizes. E lá quase para o fim do mês, vêm-me tirar muito leite e levam lá para dentro, passado algum tempo, sinto o cheiro de comida que está a ser cozinhada com o leite que me tiram. Acho que é só uma altura em que eles gostam de comer muito.
O Timóteo estava muito baralhado. Enfeitam a casa toda e comem muito? Mas que coisa estranha. Um pouco mais ao lado reparou que haviam algumas galinhas, e foi ter com elas, com a esperança de que talvez elas lhe soubessem explicar o que era o Natal.
- Olá Sr.ª Galinha. Eu sou o coelho Timóteo. Pode-me explicar o que é o Natal?
- O Natal? Eu não sei explicar o que é, só sei que há uma altura em que vêm cá mais que uma vez por dia, ver se pusemos mais ovos. Assim que vêm mais um ovo levam-no logo para a cozinha. Vai perguntar ali ao peru Gluglu, pode ser que ele te saiba ajudar.
- Olá Sr. Peru. Por acaso sabe-me dizer o que é o Natal?
- NATAL? AH! – Gritou o peru com um ar de desespero. É uma coisa que deve ser horrível, pelo que me contaram, parece que todos os anos está sempre cá um peru diferente. Chega-se aquele dia que é muito especial para eles, levam o peru e nunca mais ninguém o vê... Eu estou aterrorizado! Estou até a elaborar um plano de fuga. Queres-me ajudar?
- Err.... Não, não, eu não estou a pensar fugir.
- Oh, pena... Mas experimenta perguntar ao Pato Patui. De certeza que ele sabe mais do que eu. Boa sorte.
- Obrigado.
Como o peru não o consegui ajudar, foi perguntar ao Pato Patui.
- Olá senhor Pato. Sabe o que é o Natal?
- Natal? Eu não quero saber nada disso, sei que há um dia em que aparece aqui muita gente, com humanos pequenos e tudo e esses começam a assustar-me e a correr atrás de mim. Seja aquilo que for, eu não gosto. Pergunta ali ao cão Caracol.
Os cães, Timóteo conhecia, e sabia que podiam ser perigosos, a sua mãe já o tinha avisado, por vezes eles correm atrás dos coelhos para os apanharem. Mas aquele cão dormia pacificamente ao pé dos degraus da casa, tinha um longo pelo encaracolado e já parecia ser um pouco velho.
- Senhor cão....
- Mmmm, quem é? – O cão abre um olho e fecha-o em seguida.
- Eu, eu... eu gostava de saber o que é o Natal.
- O Natal... o Natal, é... olha, não me lembro. A minha memória já não é o que era dantes. Acho que é uma festa em que as pessoas fazem muito barulho e não me deixam dormir. Pergunta mas é ao cavalo Alfredo, há sempre um dia em que o Sr. Francisco leva a carroça cheia de embrulhos, uns grandes e outros mais pequenos, mas eu não sei porquê. Vai-lhe lá perguntar, que eu estou com muito sono e quero dormir.
Chegando-se ao pé do cavalo Alfredo, Timóteo estava um bocadinho receoso, com aquela criatura tão grande.
- Escusas de ter medo. – Disse o cavalo.
- Desculpe, eu não queria incomodá-lo, mas eu estou curioso com uma coisa e os outros animais disseram-me que talvez o senhor me pudesse ajudar.
- Queres saber o que é o Natal, não é?
- Como é que sabe? – Perguntou o coelhinho com um ar admirado.
- Todos os anos aparece aqui na quinta um animal curioso, assim como tu a fazer perguntas sobre os hábitos estranhos dos humanos. Tu deves ser filho da Cauda Fofa, certo?
- Como é que sabe o nome da minha mãe?
- Eu conheci a tua mãe muito antes de tu nasceres. E tu és muito parecido com ela. A tua mãe também era muito curiosa. Acho que o melhor que tens a fazer é voltares para casa e perguntares-lhe o que é o Natal. Ela vai-te contar a história completa.
- A minha mãe? Ela sabe o que é o Natal?
- Sabe sim, vai já a correr para casa antes que fique de noite!
- Vou pois! – Disse o Timóteo com um ar apressado.
O coelhinho correu o mais depressa que consegui até à sua toca. Ao chegar perguntou com um ar ofegante:
- Mãe, o que é o Natal? O cavalo Alfredo disse que tu sabias o que era o Natal. Diz-me o que é o Natal!
- Calma Timóteo, estou a ver que andaste a passear pela quinta do Sr. Francisco e que falaste com o Alfredo. Estou a ver que temos de ter uma longa conversa.
E assim, todos juntos no aconchego da toca, Timóteo e os seus irmãos ouviam atentamente a história do Natal, sobre o menino que nasceu, a estrela cadente, os reis magos e os presentes. Naquela altura Timóteo percebeu que o Natal, não era aquilo que os animais da quinta diziam, sobre a comida, os presentes e os enfeites, mas que acima de tudo era o convívio com a família e o amor e a união que deve fazer parte da nossa vida. Naquela altura, na sua toca acolhedora, junto com a sua mãe e os seus irmãos, Timóteo sentiu que estava a ter o seu Natal. Repletos de alegria e de felicidade abraçaram-se todos com entusiasmo e amor, até que... alguém bate à porta. Quem seria? O espanto pairava no rosto de todos. A mamã Cauda Fofa abriu a porta e chamou por Timóteo.
- Timóteo, filho, está aqui alguém que te veio visitar.
Era o peru Gluglu. Parece que este ano o Natal na quinta do Sr. Francisco ia ser sem peru.



FIM
FELIZ NATAL

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Um dia para esquecer - Cap. III

Capítulo III
Perdido e mal disposto

Já estou a andar há mais de uma hora, tenho a sensação de que estou perdido, além disso estou cheio de fome... Estão ali ao canto uns cogumelos com muito bom aspecto, de certeza que não me vão fazer mal...
Já passou meia hora e ainda não cheguei a lado nenhum, além disso estou mal disposto, acho que os cogumelos me fizeram mal... Ah! Está ali um velhote, pode ser que ele saiba como sair daqui.
- Bom dia, pode... po...
- Sim?! – Responde o velhote.
- (Acho que vou vomitar)

E vomito mesmo nos pés do homem! Peço-lhe mil e uma desculpas, e ele, com um ar zangado, indica-me o caminho a seguir e vira-me costas enquanto me roga pragas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Um dia para esquecer - Cap. II

Capítulo II
Trocas, Atrasos e Espirros




Ainda decidido a apanhar o autocarro, saio disparado pela porta da rua e levo a mochila comigo. Estou a meio caminho da paragem quando me apercebo que a mochila que trago não é a minha, mas a da minha irmã! Tenho de voltar para trás!.

Assim que chego a casa bato com o nariz na porta, porque afinal não tenho a chave, e a única entrada possível é a janela do meu quarto, que está sempre aberta. Vou então buscar o escadote e subo até a janela, tropeçando mais uma vez quando ponho os pés no chão. Esta é a minha mochila!

São neste momento 8:05, de certeza que o autocarro já deve ter passado! Mas vou na mesma a correr para a paragem, e quando faltavam apenas cinco metros para chegar vejo o autocarro a ir embora. Boa... agora tenho de ir a pé, acho que é melhor ir pelo atalho.

Pelo caminho enlameado passa por mim uma mota a grande velocidade, mesmo por cima de uma enorme poça de água, deixando-me todo encharcado! Atchim! Boa, era só o que me faltava, agora vou ficar constipado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Um dia para esquecer - Cap. I

A primeira história, ou será melhor dizer "estória", deste blogue será uma comédia, foi a primeira deste género que escrevi. Esta semana apenas vou publicar o primeiro capítulo, e nas semanas seguintes publicarei os restantes.
Aqui vai então:

Um dia para esquecer
Capítulo I
Atrasos e acidentes
O despertador tocou! Olho para o relógio digital e vejo 7:50, viro-me para o outro lado, mas abro repentinamente os olhos porque tomei consciência de que tenho apenas dez minutos para apanhar o autocarro!

Apressadamente tento-me desembaraçar dos lençóis e cobertores em que estava enrolado, ao mesmo tempo que me tento levantar, mas tropeço e caio da cama a baixo, ficando embrulhado no meio do chão do quarto, tentando encontrar a saída no meio de toda esta confusão. Nisto bato com a cabeça na mesa-de-cabeceira e cai-me o candeeiro em cima! Au! Acho que vou ficar com um galo...

Dispo o pijama muito rapidamente, troco de meias e visto umas calças e uma camisola que encontrei no meio da confusão do meu quarto e ponho os pés dentro de uns ténis, não me dando sequer ao trabalho de apertar os atacadores.

Sigo para a cozinha a fim de comer qualquer coisa e com um movimento brusco abro a porta do armário da cozinha que me bate com força na testa! Ainda meio atordoado da pancada tiro a tigela dos cereais enquanto vou resmungando umas palavras de dor, mas inesperadamente tropeço nos atacadores e estatelo-me no meio do chão, deixando cair, e quebrar-se, a única tigela lavada disponível na altura. No meio desta odisseia, não desisto de comer, bebo um gole de leite e mastigo uma colher de cereais.
(continua...)